Trabalhadores de várias categorias, integrantes de movimentos sociais e estudantes se reuniram na tarde desta sexta-feira (31) em Marabá em protesto contra a reforma da previdência. Batizado pelas centrais sindicais de Dia Nacional de Luta, o ato também teve como alvo outras medidas consideradas igualmente danosas a geração de emprego, como o projeto de Terceirização aprovado pelo Congresso. A manifestação iniciou por volta das 17 horas, em frente ao campus I da Unifesspa (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará), localizado na Folha 31, Nova Marabá.
De acordo com um dos organizadores do evento e membro do Fórum em Defesa da Previdência e dos Direitos dos Trabalhadores, professor Rigler Aragão, a população foi convocada para que pudesse dialogar sobre o assunto. “Estamos distribuindo jornais informativos sobre a reforma da previdência e a ideia é realizar uma grande mobilização em Marabá”, afirmou.
A estudante de história da Unifesspa, Eliza Correia Santos, participou da manifestação. Ela acredita que se a reforma for aprovada vai barrar conquistas sociais no país. “Acaba sendo uma traição para a própria sociedade que contribui para o crescimento do nosso país, porque estica o tempo de trabalho e o quem contribui não terá tempo de aproveitar o benefício”, opinou.
Eliton Chaves, estudante de química, falou durante o protesto que as propostas do governo só trazem prejuízos aos trabalhadores. “Nós precisamos ter exemplos de outros países [como o Japão] em que o tempo de trabalho por ano é muito menor”.
Manifestações contra a reforma foram registradas em, pelo menos, 16 estados, e no Distrito Federal. No Pará, além de Marabá, a capital Belém e as cidades de Altamira e Santarém registraram protestos. No domingo, o movimento se estende à Feira da Laranjeiras, com panfletagem e diálogo com a população.
Fórum
Dia 15 de março foi criado em Marabá o Fórum em Defesa da Previdência e dos Direitos dos Trabalhadores, unificando a luta de sindicatos e movimentos sociais que se opõem à reforma da previdência. “Na quinta mesmo a gente fez uma reunião que tinha 12 entidades e movimentos sociais. O pessoal está sentindo a necessidade e, principalmente, agora com a Unidade das Centrais sindicais em chamar para greve geral no dia 28 de abril”, esclareceu Rigler.
Para João Rebelo, representante do sindicato dos bancários no sul e sudeste do Pará e também membro do Fórum, é importante que a população se una para combater os desmandos do governo. “A gente tem que mostrar para esses cidadãos eleitos por nós que se eles continuarem praticando atos contra nós, eles não voltam”, enfatizou.
Rigler lembrou que o Fórum é aberto e disse que, caso alguma liderança comunitária ou grupo queira realizar palestra ou solicitar debates em escolas, podem acionar um dos membros para agendar a ação.
Dificuldade
De acordo com Raimundo Gomes da Cruz Neto, sociólogo e educador popular do Cepasp (Centro de Educação, Pesquisa, Assessoria Sindical e Popular), a maior dificuldade que o movimento encontra para mobilizar a população é a banalização da discussão política. “Aconteceu um rebaixamento da política. A sociedade começa a ter a ideia de que todo político é a mesma coisa, que tudo é corrupção”, observou.
(Nathália Viegas com informações de Josseli Carvalho)